quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Velhinha contrabandista

Esta estória fazia parte de um livro de português da sexta ou sétima série.


Como na internet se encontra tudo, fui atrás, e bastou escrever três palavras para encontrar este texto:
Velhinha, lambreta, contrabando


Velhinha Contrabandista

Todos os dias passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás.
O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou-a parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou-lhe:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todos os dias, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros que adquirira, e respondeu:
- É areia!
Aí quem riu foi o fiscal.
Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com droga, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia. O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando para burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! - Insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs: - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias…
- O senhor promete não fazer nada? - Quis saber a velhinha.
- Juro – respondeu o fiscal.
- Faço contrabando de lambretas!


Esta estória nunca mais esqueci.
Foi postada num dos primeiros posts aqui neste blog, em 18/05/2007.

Abraço pra quem passar por aqui.




4 comentários:

Lidia Ferreira disse...

X(=))

KKKKKKKKKKKKKKkkkkkk maravilhoso , e amigo as vezes as coisas estão na nossa cara
Obrigada pelo carinho
bjssssssss

orvalho do ceu disse...

Olá, Mauro
A coisa vem de onde menos se espera, né?
Um abraço e ótima tarde pra vc cheia de serenidade.

Luma Rosa disse...

Esta versão é de Stanisláu Pontepreta que também já postei no "Luz". Se quiser ler a versão de Luis Fernando Veríssimo e a moral da história http://bit.ly/iIzEX ;) Muito atual!! Beijus,

PRECIOSA disse...

Olá, passei para conhecer seu blog, deparei com escritas com sabor de quero ler mais....
Parabéns pelo bom humor com que escreves....
Te sigo...com carinho.
Preciosa Maria

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